ABC do Inconsciente – A atenção flutuante do analista

ABC do Inconsciente – A atenção flutuante do analista.

Ainda em psicologia das massas e análise do Eu, Freud explica que no processo psicanalítico, o analista adota uma postura de atenção flutuante. Esse conceito refere-se à capacidade do analista de escutar sem foco predefinido, sem priorizar certos conteúdos em detrimento de outros. Em vez de buscar sentido imediato ou impor interpretações, o analista acompanha as associações do paciente de maneira aberta e receptiva, permitindo que os significados emerjam naturalmente na relação analítica. Essa escuta “com o próprio inconsciente” possibilita ao analista captar nuances e expressões que poderiam escapar a uma atenção mais dirigida ou racionalizada.

Freud destacou a relevância dos atos falhos e dos sonhos como janelas privilegiadas para o inconsciente. Os atos falhos — pequenos deslizes na linguagem, na memória ou nas ações diárias — revelam desejos reprimidos e conflitos latentes que escapam ao controle consciente. Os sonhos, por sua vez, ocupam um papel central na psicanálise, pois, segundo Freud, são a via real para o inconsciente.

Freud sublinhou que a psicanálise devolveu ao sonho a importância que, em tempos antigos, lhe era atribuída. Contudo, ele alertou que o psicanalista não deve se fiar apenas em sua própria capacidade interpretativa. Em vez disso, grande parte do trabalho interpretativo é delegada ao sonhador, que, através de suas associações singulares, traz à tona os significados mais profundos e pessoais de seus sonhos.

Os sonhos compartilham com os sintomas neuróticos o mesmo mecanismo de formação de compromisso. Ambos representam uma tentativa do psiquismo de reconciliar tendências opostas em uma expressão única, manifestando o sujeito dividido em sua subjetividade. O sonho, assim como o sintoma, pode funcionar como reflexão, advertência, propósito, preparação para o futuro ou, ainda, como satisfação de um desejo não realizado. É essa complexidade que torna o sonho tão valioso no trabalho psicanalítico.

Com essa base estabelecida, o próximo assunto nos conduz às questões sobre a origem da vida sexual, a sexualidade infantil e o desenvolvimento da libido.

 

Patrícia Andrade

Psicanalista e psicóloga, aprimorada em Saúde Mental pelo Instituto A Casa e membro da rede Inconsciente Real

Compartilhe:

Facebook
LinkedIn
Twitter
Telegram
WhatsApp