A proibição do celular nas escolas

A proibição do celular nas escolas

Está valendo a lei que proíbe o uso de celulares dentro das escolas no Brasil. 

Estudos já mostraram que o uso excessivo de celulares pode prejudicar a saúde mental, diminuir a capacidade de atenção, afetar a sociabilidade e alterar a autoimagem dos jovens pelas diversas intoxicações digitais promovidas e capitalizadas pelas chamadas big techs, as “donas” das redes sociais.

Sem a constante tentação das redes sociais, os estudantes poderão se concentrar mais nas aulas (ou, vá lá, se desconcentrar, mas de maneira diferente, grupal e criativa), desenvolver habilidades sociais mais saudáveis e interagir de forma mais espontânea e genuína com seus colegas. Isso pode contribuir para uma formação mais equilibrada da personalidade e do intelecto dos jovens.

A resistência que muitos têm diante dessa mudança é compreensível. Muitos veem o banimento dos celulares nas escolas como perda de liberdade e retrocesso. Mas quem diz isso esquece que as redes sociais e suas “big techs” são empresas que se vendem e que se desresponsabilizam pelos efeitos e consequências culturais e subjetivas do que promovem. Onde estaria nossa liberdade nas telas? Se pararmos para refletir, vemos que essa “liberdade” é, na verdade, um grilhão invisível, não só para as crianças, mas principalmente para elas. E para nós, adultos, também.

Não se trata apenas de proibir, mas de cuidar. A verdadeira questão é sobre repensar nossa forma de educar e cuidar das novas gerações. A tecnologia não é boa nem má por si só. O que determina seu alcance, benefícios e prejuízos é como fazemos o intermédio humano e educativo do que nos é oferecido “lá de cima”. É sobre como lidamos com isso tudo enquanto sociedade em debates políticos e comunitários (amigos, vizinhos, educadores e escolas) para que tentemos ter algum controle subversivo sobre esse Outro chamado “Big Techs”.

As escolas e as famílias precisam trabalhar em conjunto para ajudar as crianças a lidarem com as exigências da vida digital sem que isso prejudique seu desenvolvimento integral.

O futuro será construído sobre os efeitos do que fazemos agora. Por isso, é urgente que a sociedade inteira comece a enxergar a proibição do celular nas escolas não como uma ameaça, mas como uma oportunidade de retomar o controle sobre o ambiente educativo e de reconstruir os alicerces do cuidado e da educação das próximas gerações.

As novidades tecnológicas não são apenas perigos, mas ótimos desafios; elas são convites para repensarmos nossas formas de cuidar dos outros, de nós e  especialmente dos mais vulneráveis: nossas crianças e nossos jovens. O que se espera, também, é que a geração que viverá sem a pressão do celular dentro da escola seja uma inspiração para que os adultos também revejam sua relação com a tecnologia, criando espaços de convivência mais saudáveis, dentro e fora de casa. Num cenário utópico, mas não menos divertido, poderá ocorrer uma boa inversão: eles, os jovens, é que terão de puxar a nossa orelha adulta e falar: estou aqui!

 

Patrícia Andrade

Psicanalista e psicóloga, aprimorada em Saúde Mental pelo Instituto A Casa e membro da rede Inconsciente Real

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